segunda-feira, 16 de novembro de 2009

DICA DE DISCO DO MÊS


GENESIS – SELLING ENGLAND BY THE POUND (1973)

Primeiro veio o pedido, depois a exigência do Marcelinho para que eu escrevesse sobre algum álbum que tenha marcado a minha trajetória como roqueiro. Pensei logo: “Tem que ser algum disco do Genesis”, minha banda preferida de rock progressivo, aquele tipo de som “viajante”, com muitos acordes, às vezes dissonantes, que marcou a passagem dos lisérgicos anos 60 para os 70, onde tudo foi permitido em matéria de rock. Apesar de ter apenas oito anos de idade em 1973, ano em que foi lançado o álbum “Selling England by the Pound”, comecei a ouvir seus melodiosos acordes um par de anos depois, graças ao “Mão”, apelido do irmão mais velho que dividia o quarto comigo, e que já colecionava discos de outras bandas famosas entre os roqueiros daquela década, como Pink Floyd, Led Zepellin, Deep Purple, Black Sabbath, The Who, Yes, Jethro Tull, além dos já consagrados Beatles e Rolling Stones.
É bom lembrar que naquela época os discos eram gravados em vinil (sabem o que estou falando ?) e demoravam no mínimo 2 anos para serem lançados por gravadoras nacionais depois de seu lançamento nos seus países de origem.
Bom, mas voltando ao quarto dos irmãos Bido e Mão, eu agora com meus 10 anos de idade e ele com seus 21, era normal acordar no meio da madrugada ao som de um disco de Genesis que tocava na vitrola. E foi assim que fui acostumando o ouvido com aquele tipo de som. Mais tarde, após a fase “metaleira” pela qual quase todo adolescente passa e que naquela época despontava com os primeiros álbuns do Iron Maiden, me voltei novamente ao som progressivo do Genesis, Pink Floyd, Yes e outros, começando a adquirir seus discos.
Nesta fase, era comum entre os amigos, cada um ter sua banda preferida, muitas vezes uma em cada estilo, então no rock progressivo escolhi o Genesis, enquanto outro tinha escolhido o Yes, outro o Pink Floyd, outro o Jethro Tull, outro o Rush (é isto mesmo, o Rush, apesar de seu som pesado, também foi considerado progressivo). E cada um defendia ferrenhamente a sua banda preferida, seus músicos eram os melhores em qualquer lista de melhores, não haviam concessões a serem feitas.
Foi aí que meu “irMão”, casado e pai de uma filha, começou a se desinteressar de seus velhos discos de rock e eu comecei a desfrutar de sua coleção, onde figuravam entre outros este maravilhoso “SEBTP”, onde Peter Gabriel, Tony Banks, Steve Hackett, Mike Rutherford e Phil Collins colocavam todo o seu talento musical a mostra, em longas canções recheadas de arranjos com quebradas de tempo, alterações de estilo, solos com todos os instrumentos e letras que contam histórias cheias de críticas aos costumes da velha Grã-Bretanha como em “Dancing With the Moonlit Knight” (8:02), “I Know What I Like (In Your Wardobe)” (4:07), ‘Firth of Fifth” (9:35), “The Battle of Epping Forest” (11:49), “The Cinema Show” (11:06) e a derradeira “Aisle of Plenty” (1:32), além da instrumental “After the Ordeal” (4:13). Quem conhece este disco deve estar pensando: Mas tem também “More Fool Me” !!! Sim, tem, mas confesso que devo ter escutado poucas vezes esta irritante faixa, com vocais chorosos do principiante vocalista (e excelente baterista) Phil Collins.
“Você poderia me dizer onde se encontra meu país?”, disse o unifaun aos olhos do seu verdadeiro amor. “Ele encontra-se comigo!”, gritou a Rainha do Talvez – Pela sua mercadoria, ele trocou seu prêmio. Este trecho da faixa “Dancing With The Moonlit Knight” mostra o teor das letras deste álbum, onde aparecem o unifauno, mistura de unicórnio com fauno, trocadilho para uniforme, farda, representando a velha Inglaterra, assim como a Rainha do Talvez representa a Inglaterra moderna.
Enfim, este é o disco básico para quem quer conhecer o Genesis... e se apaixonar, como eu.
Pra baixar é só garimpar um pouco com a ajuda do Google, digitando: Genesis Selling England by the Pound blogspot, tem vários links.
Outros títulos do Genesis que valem muito à pena conhecer: Foxtrot (1972), Live (1973), The Lamb lies down on Broadway (1974), Nursery Cryme (1971), Trespass (1970).



Por Bernardo Barth (Bido)






Um comentário:

  1. SELLING ENGLAND BY THE POUND. Grande obra do rock progressivo, nos anos 70. A minha música preferida desse álbum é Cinema Show. Quantas vezes a ouvi na companhia do camarada Bido e de outros amigos da antiga: Duduti, Filipe, Jorge Boy, Quinhos, Jacques... Só tenho de agradecer ao Bernardo por ter me apresentado o som dos caras.
    Saudades meu velho, bons tempos aqueles.

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